quinta-feira, 10 de outubro de 2013

MAPA DO BLOG – COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO


DATA DA       POSTAGENS DO NOVO TESTAMENTO
POSTAGEM                  

SET 2012      Filemom
                  
OUT 2012     Gálatas
                   Hebreus
                   Filipenses
                   Romanos
                   Colossenses

NOV 2012     Tiago
                   I Timóteo
                   João

DEZ 2012     Apocalipse
                   I Tessalonicenses
                   I Coríntios
                   Atos
                   I João
                   I Pedro

JAN 2013      II Pedro
                   II Timóteo
                   II Coríntios
                   Mateus – com passagens paralelas de Marcos e Lucas
                   II Tessalonicenses


FEV 2013      Tito

MAI 2013      Efésios

OUT 2013     Judas
                   III João
                   II João


JUDAS

“1 Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo:
2 Misericórdia, e paz, e amor vos sejam multiplicados.
3 Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.
4 Porque se introduziram alguns, dissimuladamente, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.
5 Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram;
6 E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia;
7 Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.
8 E, contudo, também estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades.
9 Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.
10 Estes, porém, falam mal do que não sabem; e, até naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem.
11 Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré.
12 Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas;
13 Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas.
14 E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;
15 Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.
16 Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse.
17 Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo;
18 Os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências.
19 Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito.
20 Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,
21 Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.
22 E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento;
23 E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne.
24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória,
25 Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém.”

O Judas, autor desta epístola, era, tanto quanto Tiago, que também escreveu  a epístola que leva o seu nome,  filho de Maria e de José, e portanto, eram irmãos de Jesus, segundo a carne. 
Paulo escreveu em Gálatas 1.19 que Tiago era irmão de Jesus.
Em Mateus 13.55 são citados Tiago e Judas, juntamente com outros irmãos de Jesus:
“Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?”  (Mt 13.55).
Estes vieram a se converter, provavelmente depois da ressurreição de Jesus, porque, até então é dito que até mesmo seus irmãos não criam nEle (João 7.5).
Mas, uma vez convertidos, tanto Tiago quanto Judas se tornaram apóstolos fervorosos, notáveis e empenhados na obra do evangelho, testemunhando que Aquele que era irmão deles segundo a carne, era na verdade o próprio Filho de Deus que havia morrido, ressuscitado e subido aos céus em glória, para a salvação dos pecadores.
No entanto, Judas não se apresentou como irmão de Jesus, mas de Tiago. Ele afirmou na introdução da epístola ser servo de Jesus, para que ficasse firmado não o laço natural de família que tivera com Ele, mas a submissão ao Seu senhorio no reconhecimento a que chegara pela conversão, de que Ele era o Messias que deveria vir ao mundo, conforme havia sido profetizado desde os dias do Velho Testamento. 

Judas escreveu aos chamados, que são aqueles que são santificados e regenerados pelo Espírito segundo a vontade de Deus Pai, e que são conservados para não mais morrerem eternamente por causa de Jesus Cristo, e da obra de expiação e redenção que fizera em favor deles.
A estes, que são pertencentes ao Senhor, por terem sido lavados e remidos no sangue do Senhor, Judas lhes saudou desejando que a misericórdia, a paz e o amor lhes fossem multiplicados, isto é, que estas graças aumentassem continuamente neles.
Porque é necessário ter o aumento destas e de outras graças na vida espiritual, para que haja crescimento e amadurecimento na fé, de maneira que os crentes possam estar habilitados a se empenharem na batalha da fé, para a propagação do evangelho, conforme a grande comissão que Jesus deu à Igreja de fazer discípulos em todas as nações.
Os ministros do evangelho, tal como Judas, têm o dever de exortar os crentes a se empenharem diligentemente na obra do evangelho, na defesa da fé, que foi entregue de uma vez aos santos desde o Pentecostes, para permanecerem fiéis na realização da obra de evangelização do mundo, que lhes foi designada pelo Senhor.    
Judas disse que tinha se empenhado com toda diligência para escrever aos crentes, acerca da salvação comum em Jesus Cristo, e percebeu que havia necessidade, ao se referir a este assunto que é o de principal interesse de Deus e da Sua Igreja, que deve haver uma permanente exortação para que se batalhe o bom combate da fé para a propagação do evangelho.
O motivo destas exortações ao empenho na obra de Deus, tinha principalmente a sua razão de ser por causa da intromissão de alguns homens com dissimulação no ministério, que estavam convertendo a graça de Deus que foi dada aos crentes para santificá-los, como motivo para justificarem um viver na carne e no pecado, sob o argumento de que uma vez que é pela graça que se é salvo, não há nenhum impedimento em que se viva pecando, porque afinal, a graça cobrirá todas as transgressões do pecador. 
Isto é, no dizer de Judas, transformar a graça em licenciosidade, em luxúria, em dissolução; porque não fora afinal para este propósito que ela foi dada aos pecadores, senão para operar a santificação de suas vidas.
Quem se empenhar na realização de uma verdadeira obra de Deus há de sentir a necessidade de santificar-se porque sem isto não se pode combater os poderes das trevas, e prevalecer com os pecadores, trazendo-os à obediência de Cristo.                  
Quando falta tal compromisso que é esperado por Deus, que todos os Seus filhos tenham com Ele, e com a obra do evangelho que Ele lhes designou para ser feita, não é possível ser usado pelo Senhor, porque Ele requer a santificação dos crentes para que possam ser empenhados numa obra regular do evangelho, e é fazendo a obra que eles são santificados. Há portanto uma relação de causa e efeito neste caso, porque é fazendo a obra que aprendemos o significado da verdade de suportar aflições e oposições por amor a Cristo, porque todos os que se comprometerem de fato com a obra do Senhor, sofrerão perseguições; e é nisto que se revelará até que ponto estão realmente andando em fidelidade com Deus.      
Por isso Judas exortou os crentes a combater em defesa da fé, isto é, do verdadeiro evangelho, para manterem a verdade em face dos muitos falsos obreiros que estavam se levantando no seio da Igreja, para introduzirem heresias destruidoras, de maneira dissimulada. 
Estes falsos profetas, pastores e mestres pregam a si mesmos e não a Cristo. Mesmo quando eles falam do Senhor, não é o Cristo da Bíblia que eles apresentam aos seus ouvintes, mas o cristo criado pela própria imaginação deles.
Mas tanto as Escrituras do Antigo Testamento, quanto o Senhor Jesus Cristo haviam alertado à Igreja quanto ao trabalho destes ministros de Satanás, que procuram afastar o povo de Deus da verdade.
Estes homens são ímpios (v. 4). Eles têm aparência de piedosos, mas negam a eficácia da piedade e santidade em suas próprias vidas, porque são carnais, e andam segundo o homem, e não segundo o Espírito de Deus.
A propósito Judas afirma acerca destes homens que eles são os que causam divisões na Igreja, porque são sensuais, isto é, carnais, e não andam segundo o Espírito, porque eles não têm o Espírito Santo (v. 19).
Este falso evangelho que é pregado por estes ímpios que não tem o Espírito deve ser veementemente rejeitado.
Judas chamou o argumento em prol da necessidade de uma santificação experiencial e real na vida de todos os crentes, em recusa à proposta de um viver negligente e licencioso proposto pelos falsos mestres, lembrando a Igreja o que sucedeu aos judeus incrédulos e que viveram transgredindo os mandamentos de Deus nos dias de Moisés, e o que também sucedera aos anjos que se rebelaram no céu contra o Senhor (v. 5,6), os quais foram reservados às trevas em prisões eternas até o grande dia do Juízo de Deus que lavrará para sempre a sentença de condenação deles a viverem eternamente no lago de fogo e enxofre.  
Também, para o mesmo propósito lembrou que Sodoma e Gomorra foram destruídas no passado para serem postas como um monumento do juízo de Deus sobre os que permanecerem na prática deliberada do pecado (v. 7).
Uma das características destes falsos líderes é que falta a eles espírito de submissão, porque eles sempre serão achados desejando fazer valer a própria vontade e projetos deles. Não se verá nunca neles aquela humildade,mansidão, humildade que estiveram no próprio Cristo,e que se vê nos Seus verdadeiros discípulos.
Eles não podem ver as coisas espirituais, celestiais e divinas, porque não têm a iluminação do Espírito Santo, em seus espíritos e corações para poderem enxergar que há princípios de autoridade no mundo espiritual, a ponto do próprio arcanjo Miguel não ter ousado pronunciar juízo de maldição contra Satanás quando contendia com ele a respeito do corpo de Moisés, que o diabo, certamente pretendia colocar como objeto de adoração para Israel, depois da sua morte; de maneira que o Senhor mesmo sepultou o corpo de Moisés, e nunca se soube o lugar da sua sepultura, e não foi permitido a Satanás divulgá-lo aos israelitas.
Como lhes falta este conhecimento verdadeiro do reino espiritual, eles falam mal das coisas que não conhecem, e até naquilo que é natural agem como irracionais, corrompendo-se (v. 10). 
Eles são os descendentes autênticos de Caim porque vivem a invejar os que são verdadeiramente devotados a Deus; e também de Balaão, porque servem na Igreja por interesse de ganho pessoal; e também de Coré, porque ambicionam a posição de autoridade espiritual em que se encontram aqueles que foram chamados verdadeiramente por Deus (v. 11). 
Eles são árvores que não foram plantadas pelo Senhor; são árvores murchas, sem raízes, que não podem dar frutos; são nuvens que são desfeitas pelo vento porque não têm nenhuma chuva de graça para derramar sobre os seus seguidores. Eles não estão enraizados no Senhor e na Sua verdade, e assim não conhecem a festa do Espírito, nos banquetes espirituais dos quais participam somente aqueles que têm o temor do Senhor e Lhe obedecem. Eles amam banquetes e festas carnais, a pretexto de serem festas para incrementar o amor da Igreja, mas não é este amor para o qual Cristo tem chamado os crentes a viverem, porque não é carnal, natural, mas espiritual.
Eles não se despojam dos feitos da carne, que são trazidos de volta de tempos a tempos, tal como fazem as ondas do mar com as escumas que elas sempre mantêm em movimento, e que não podem, por si mesmas, serem livradas de suas sujidades.
Eles aparecem aos seus ouvintes como estrelas, porque Satanás e seus ministros se transfiguram em anjos de luz,  mas são estrelas errantes para as quais está reservada eternamente a negrura das trevas.
Os crentes devem portanto zelar pela sua santificação e não se deixarem levar pelo falso evangelho e pela graça barata que estes falsos pastores lhes oferecem, e que é uma grande tentação para eles, porque afinal, eles não lhes exigem nenhuma diligência para viverem de modo agradável a Deus, e não lhes incentivam a fazer uma obra genuína de evangelização, para a propagação do reino de Deus, pela conversão real de pecadores, pela pregação do evangelho e pela operação do poder do Espírito.  
O Senhor virá com todos os seus santos para dar a cada um conforme as suas obras. Para condenar todos os ímpios, por causa de suas obras de impiedade e por todas as duras palavras que proferiram contra Ele.
Estes falsos pastores não pregam o evangelho da cruz, não ensinam que o crente se encontra crucificado juntamente com Cristo para as paixões da carne e para o mundo, devendo se despojar do velho homem, e vencer o mundo e o diabo, por um testemunho de vida de quem anda por fé  e não por vista, e cujo coração está no tesouro celestial e não nas coisas terrenas.
O crente verdadeiro se gloria na cruz e nas suas fraquezas; e não se queixa da sua sorte porque sabe que a sua vida está nas mãos de Deus, mas estes falsos líderes apontam para facilidades e riquezas, e criticam aqueles que não são tão prósperos materialmente quanto eles, alegando que é por falta de fé deles. São arrogantes, aduladores de homens, e fazem tudo por serem interesseiros, e não por amor ao Senhor.
Para não serem enganados, abraçando um evangelho falso, os crentes foram previamente alertados por Jesus e pelos apóstolos, de maneira que, especialmente nos últimos tempos, não sigam as pegadas destes ímpios escarnecedores que andam segundo as suas cobiças.
Então, o melhor remédio contra uma possível apostasia é edificar a si mesmo em santificação, pelo exercício da fé, orando em todo o tempo no Espírito; esforçando-se diligentemente para permanecer no amor de Deus, aguardando a misericórdia de Jesus Cristo quanto à promessa da vida eterna que Ele nos fez.
Diferentemente dos falsos mestres que pensam somente em si mesmos e nos seus próprios interesses, os crentes autênticos devem usar de misericórdia para com os pecadores e se empenharem debaixo do temor de Deus, com vistas à salvação de alguns, arrebatando-os das mãos do diabo e do fogo, detestando até mesmo a roupa manchada da carne, isto é, o zelo pela santificação deve ser de tal ordem, que até mesmo as roupas que foram usadas na prática da impiedade devem ser inteiramente rejeitadas.
Este trabalho deve ser feito com oração perseverante, com plena confiança de que o Senhor é  poderoso para nos guardar de tropeçar, e para nos apresentar irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória.
Deste modo, como é o próprio Senhor quem garante a nossa vida vitoriosa, na medida em que nos dispomos a combater em favor da fé do evangelho, independentemente das coisas que possamos vir a sofrer por causa do Seu nome, a Ele somente seja toda a glória, majestade, domínio e poder, agora  e para todo o sempre. 
Amém!                                  


III João

“1 O presbítero ao amado Gaio, a quem em verdade eu amo.
2 Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como é próspera a tua alma.
3 Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade.
4 Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que os meus filhos andam na verdade.
5 Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos, e para com os estranhos,
6 Que em presença da igreja testificaram do teu amor; aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás;
7 Porque pelo seu Nome saíram, nada tomando dos gentios.
8 Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade.
9 Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles a primazia, não nos recebe.
10 Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja.
11 Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus.
12 Todos dão testemunho de Demétrio, até a própria verdade; e também nós testemunhamos; e vós bem sabeis que o nosso testemunho é verdadeiro.
13 Tinha muito que escrever, mas não quero escrever-te com tinta e pena.
14 Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos face a face.
15 Paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos pelos seus nomes.”.

Esta epístola foi destinada pelo apóstolo João a um certo Gaio, ao qual ele chama de amado (v. 1,2).
João não se identifica como apóstolo, mas como presbítero (ancião, pastor) como era seu costume em suas demais epístolas.
O apóstolo Pedro também costumava se identificar como um presbítero entre os demais presbíteros, porque afinal, a principal missão dos apóstolos era também a de apascentar o rebanho de Cristo (I Pe 5.1).  
E esta missão de apascentar o rebanho do Senhor deve ser realizada sobretudo em amor. No amor do Espírito que une os corações daqueles que são do Senhor e que andam na verdade. Daí João dizer que amava a Gaio na verdade. 
O voto para que Gaio tivesse saúde, foi vertido do termo original grego hugiaíno, que tem vários usos no Novo Testamento como por exemplo: são, sadio, saudável em muitas passagens dos evangelhos, como por exemplo em Lc 15.27; e de sadio na fé como em Tito 2.2; sãs palavras, em II Tim 1.13, e sã doutrina, como em II Timóteo 4.3; de maneira que não se restringia simplesmente nas palavras do apóstolo a votos de saúde física, mas de um viver saudável em todos os sentidos, especialmente no que é relativo à saúde espiritual. 
Quanto à referência que fizera de prosperidade da alma de Gaio, a palavra no original grego para próspera é eudóo, que é encontrada também em outras duas passagens do Novo Testamento, a saber, em Rom 1.10, em que tem o sentido de jornada próspera, bem sucedida, e em I Cor 16.2, em que se refere à prosperidade em recursos materiais e financeiros; sendo que nesta última passagem, não se fala de riqueza, mas de ser liberal em ofertar segundo as suas posses; Isto é, que cada um deve contribuir segundo as suas próprias possibilidades; e não com o que não possui. 
Portanto, estes votos de João a Gaio não servem de base como muitos costumam fazer para apoiar a doutrina da prosperidade material que ensina falsamente que todo crente deve possuir progressivamente cada vez mais, bens deste mundo, e nem da saúde sempre perfeita, que afirma que nenhum crente fica enfermo, senão somente aqueles que não têm fé.
Cabe destacar que ao falar de prosperidade, João não se referiu a prosperidade material, mas prosperidade de alma (v. 2).
Agora, devemos admitir que um espírito próspero no Senhor ajuda a nos manter saudáveis física e emocionalmente.
O amor de Gaio pela verdade, e o seu caminhar na verdade eram testemunhados pelos irmãos acerca dele (v. 3).
E a verdade que foi testemunhada acerca de Gaio era relativa ao amor que ele tinha pelos irmãos e pelos interesses da Igreja do Senhor; e do modo fiel como ele agia, segundo a vontade de Deus, não somente quanto aos crentes da Igreja local na qual ele congregava, como também para com os irmãos itinerantes, especialmente evangelistas que iam ter com eles, aos quais ele recebia com verdadeiro amor cristão.
O modo digno como Gaio recebeu estes irmãos que foram visitar a sua igreja foi elogiado por João, uma vez que, tais homens haviam saído em Nome do Senhor, nada recebendo dos gentios para tal, somente confiando na assistência que receberiam dos santos para ministrar-lhes a verdade do evangelho, do qual eles eram cooperadores (v. 7, 8). 
Esta regra foi estabelecida pelo próprio Senhor, de que aqueles que pregam o evangelho são dignos de serem mantidos pelo próprio evangelho, através daqueles aos quais ministram.           
João escreveu para incentivar Gaio a continuar procedendo com a mesma fidelidade que vinha agindo até então para com a obra do evangelho, ao mesmo tempo em que reprovou o comportamento de um certo Diótrefes que agia como se fosse o dono da Igreja, que não recebia não somente os que eram enviados pelo Senhor para lhes ministrar, como se opunha também ao próprio apóstolo João, proferindo contra ele palavras maliciosas, valendo-se da sua ausência entre eles.
Este jamais deve ser o comportamento de um verdadeiro crente, porque a fé opera pelo amor. Amor ao Senhor, amor aos irmãos, amor à obra do evangelho, e isto demanda morrer para o nosso eu e vontade, para conhecer e fazer tão somente a vontade do Senhor. Isto incluirá receber em amor aqueles que Ele nos enviar para a nossa edificação, e dar-lhes o tratamento digno que eles merecem porque são embaixadores do evangelho, enviados para a nossa própria edificação.
Então quão repreensível e contra o evangelho era o comportamento de Diótrefes; e por isso João disse a Gaio que quando fosse ter com eles, traria à memória do tal Diótrefes, quão irregularmente ele vinha procedendo em relação à Igreja, lançando fora da mesma aqueles que lhes eram enviados.
A razão deste comportamento carnal é citada por João no verso 11, no qual diz que quem faz o mal não tem visto a Deus. Como poderia então o tal Diótrefes agir de modo correto se não tinha nenhuma comunhão com o Senhor?
Estes que procedem ainda hoje, tal como ele, como donos da Igreja do Senhor, não podem fazer a vontade de Deus, por maior que seja o zelo que eles possam alegar ter por Sua obra; porque no fundo querem notoriedade, fama, reconhecimento pessoal egoísta, e não servir a Cristo e aos irmãos por um amor verdadeiro e desinteressado, que é segundo o Espírito.
Portanto, Gaio deveria permanecer na prática da verdade e do amor tal como vinha fazendo até então, e não seguir jamais o mau exemplo de Diótrefes (v. 11).
Graças a Deus que levanta crentes fiéis para servirem de apoio, exemplo e incentivo para o comportamento dos muitos Gaios da Sua igreja, tal como Demétrio, cujo testemunho foi também elogiado pelo apóstolo João, do qual este disse que até a própria verdade dava testemunho acerca de Demétrio, assim como todos os crentes (v. 12). 
Crentes fiéis virão portanto a receber bom testemunho de todos que andam na verdade. Este é um bom indicativo para sabermos de até que ponto, temos de fato nos consagrado ao serviço do Senhor de maneira fiel. 
Certamente não teremos nenhum louvor da parte dos Diótrefes, mas os Gaios e Demétrios darão bom testemunho acerca de nós, quando estivermos andando na verdade, compromissados com o reino de Deus, do mesmo modo que eles estiveram em seus dias.
Irmãos que andam na verdade são verdadeiros amigos, porque aqueles que guardam os mandamentos de Cristo não são apenas Seus amigos como também de todos aqueles que também praticam a Sua Palavra. 
Não há como haver verdadeira amizade fora destas bases, porque é somente andando na verdade e no Espírito, que se pode viver o caráter da verdadeira amizade cristã.
Por isso João se refere aos crentes que andam na verdade como sendo amigos, e que estes devem se saudar mutuamente como amigos que são em Cristo Jesus.  

II JOÃO

 

“1 O ancião à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais eu amo em verdade, e não somente eu, mas também todos os que conhecem a verdade,
2 por causa da verdade que permanece em nós, e para sempre estará conosco:
3 A graça, a misericórdia, e a paz, da parte de Deus Pai e da parte de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade e amor.
4 Muito me alegro por ter achado dentre teus filhos aqueles que andam na verdade, assim como recebemos mandamento do Pai.
5 E agora, senhora, rogo-te, não como te escrevendo um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros.
6 E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, para que nele andeis.
7 Porque já muitos enganadores saíram pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Tal é o enganador e o anticristo.
8 Olhai por vós mesmos, para que não percais o fruto do nosso trabalho, mas para receberdes pleno galardão.
9 Todo aquele que vai além da doutrina de Cristo e não permanece nela, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.
10 Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.
11 Porque quem o saúda participa de suas más obras.
12 Embora tenha eu muitas coisas para vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta; mas espero visitar-vos e falar face a face, para que a nossa alegria seja completa.
13 Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita.”

O autor da epístola se intitula o presbítero, palavra grega que significa ancião. Não padece dúvida pela semelhança de conteúdo e estilo que se trata do mesmo autor de I João.
Quando João escreveu esta epístola já se encontrava em idade muito avançada, e todos os demais apóstolos já haviam morrido.
Jesus o manteve em vida até além dos noventa anos de idade para dar cumprimento à palavra que havia proferido acerca dele de que deveria permanecer até que voltasse (João 21.22).
Jesus disse estas palavras em relação a João porque Pedro lhe havia perguntado o que ocorreria com ele, já que a Pedro revelou que a sua morte seria em martírio.
Estas palavras de Jesus indicam que João não seria martirizado como a maioria dos apóstolos, mas que o manteria em vida por um tempo prolongado, porque quando a Igreja estava debaixo de forte perseguição, e quase todos os apóstolos haviam sido martirizados, o Senhor consolou o Seu povo através dos escritos de João, especialmente do livro de Apocalipse, que foram todos produzidos por João, por direção divina, quando a Igreja precisava ser fortalecida por alguém que tinha sido testemunha ocular do ministério de Jesus e da Sua ressurreição.   
O velho e honorável apostolo estava agora grandemente experimentado no serviço santo, e tinha visto e provado mais do céu, do que quando creu no princípio.
Por decênios ele havia sustentado o testemunho fiel da verdade, em pleno conhecimento da vontade de Deus conforme lhe fora revelado pessoalmente pelo Senhor, e depois pelo Espírito, conforme promessa que Jesus havia feito aos apóstolos de que seriam instruídos em toda a verdade, pelo Espírito Santo.
Então ele sustentou e manteve a mesma doutrina (ensino do evangelho) conforme havia transmitido durante toda a sua vida, e manifesta esta verdade nas poucas, mas significativas palavras que escreveu nesta epístola.
Nesta sua segunda epístola, ele saudou a senhora eleita e os seus filhos. Uma provável forma em código de se referir a uma determinada igreja local.
Ele protesta o seu amor baseado na verdade revelada pelos crentes desta igreja que ele chama de senhora eleita, porque a Igreja é composta pelos eleitos de Deus (v. 1).
E diz que não somente ele os amava, como também todos os que conhecem a verdade, por causa da verdade que permanece nos crentes e que para sempre estará com eles (v. 1,2).
A verdade à qual João se refere é o próprio  Cristo, que havia se definido aos apóstolos em Seu ministério terreno como sendo Ele próprio, o caminho, e a verdade e a vida.
O mesmo Cristo havia proferido a eles que todo o que viesse a Ele de maneira nenhuma seria lançado fora, e é por isso que João afirma que a verdade permanecerá para sempre naqueles que a têm conhecido por uma experiência pessoal com ela.
O Espírito Santo habita nos crentes como um selo, um penhor, uma garantia da salvação deles; de que nada mais os separará do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
Então João disse que a graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e da parte de Jesus Cristo, serão com os crentes em verdade e amor (v. 3). Isto é, estes dons permanecerão continuamente com os crentes que permanecerem na verdade e no amor, porque Jesus havia dito que aquele que permanece nEle, permanece no Seu amor, e aquele que guarda os Seus mandamentos é aquele que o ama.
João não está falando portanto que os crentes podem experimentar o amor de Deus e andarem na verdade, ainda que eles vivam contrariamente aos mandamentos de Cristo. Ele está dizendo que aquilo que Deus tem dado aos crentes Ele não retirará, mas o modo de se desfrutar estas graças divinas é pela perseverança no amor e na verdade, isto é, na obediência aos mandamentos de Cristo.
Por isso ele disse que muito se alegrou no fato de ter achado alguns dos filhos da senhora eleita andando na verdade, segundo o mandamento que recebemos de Deus Pai (v. 4). Na verdade sempre haverá em cada Igreja não somente joio que não poderá andar na verdade, porque não são salvos, como também crentes desobedientes à verdade, e por isso João diz que o motivo da Sua alegria era por aqueles que estavam vivendo de modo obediente à vontade de Deus, porque não há como se alegrar de fato com aqueles que andam contrariamente aos mandamentos de Deus e que por conseguinte entristecem o Espírito Santo, e assim não entristecem apenas ao Espírito, mas todos aqueles que têm andado no Espírito.
Assim, para o propósito de reafirmar a doutrina de Cristo àquela Igreja, ele lhes rogou que permanecessem no mandamento que haviam recebido desde o princípio do Senhor, de que se amassem uns aos outros assim como Cristo lhes havia amado, isto é, com o amor divino, e disse-lhes que eles sabiam que não estava lhes pedindo para cumprir um novo mandamento, senão o que havia sido ordenado por Cristo desde o Seu ministério terreno (v. 5).
João sabia por experiência própria, que não foi sem razão que Jesus deixou um novo mandamento para ser cumprido pela Igreja além dos mandamentos morais da Lei de Moisés.
Amar com o próprio amor de Deus demanda que se tenha comunhão íntima com Deus porque Ele é a fonte do amor.
É principalmente por este amor que o coração de pedra é quebrado, e que se recebe em seu lugar um coração de carne, porque é impossível amar com o amor de Cristo, com um coração de pedra.
É possível cumprir muitos mandamentos com um coração de pedra, mas é absolutamente impossível amar com um tal coração.
Então o crente que for cumprir este mandamento terá primeiro que permitir a Deus que seja quebrado por Ele, de maneira que terá que se autonegar para poder amar com um amor que não se encontra nele próprio e que lhe virá do alto, segundo o poder operante do Espírito Santo.
O amor de Deus é derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (Rom 5.5).
Então ao falar no mandamento do amor, tanto Jesus quanto João estavam incluindo o cumprimento de muitos mandamentos, de maneira que Paulo diz que aquele que ama tem cumprido a Lei.
E Jesus havia afirmado que o amor ao próximo é o cumprimento de toda a Lei e os Profetas.
Então João confirma tudo isto no verso 6 dizendo que o amor é que andemos segundo os mandamentos de Cristo, e que este mandamento foi dado à Igreja desde o princípio para que ande nele. 
Está muito claro para nós agora porque Paulo diz em I Cor 13 que se não tivesse amor nada seria e teria, ainda que fizesse muitas boas obras, e tivesse muitos dons espirituais, porque é pelo amor a Deus e ao próximo que se comprova o quanto temos realmente tido comunhão com Deus e uns com os outros.     
Como é muito comum, transferir o grande objetivo da religião para muitos alvos, o velho e experimentado apóstolo apontou novamente para o Norte do evangelho, indicando qual o caminho a ser seguido.
Assim ele alertou a Igreja quando aos muitos enganadores que haviam saído pelo mundo afora, não confessando que Jesus veio em carne, isto é, que Ele não havia de fato encarnado num corpo como o nosso, porque era puro espírito.
Este era o ensino dos gnósticos nos dias de João e que permaneceu atacando a Igreja nos primeiros séculos.
João os chamou de enganadores e anticristos.
Eles estavam a serviço de Satanás procurando demolir a sã doutrina, e assim afastarem as pessoas da possibilidade de serem salvas por Cristo, e também para enfraquecerem a fé dos crentes, quanto ao fato de que não tinham em Cristo um substituto que se ofereceu no lugar deles na cruz para livrá-los dos seus pecados e da condenação eterna (v. 7).     
Então o apóstolo advertiu os crentes para que olhassem por si mesmos, isto é, que vigiassem contra estes enganadores, e permanecessem na sã doutrina, conforme haviam sido instruídos pelos apóstolos, porque poderiam perder o fruto do trabalho que os apóstolos haviam feito com eles, de maneira que perderiam galardões caso permitissem serem desviados da verdade apostólica (v. 8).  
Em Apo 3.11 Jesus fez a mesma advertência que o apóstolo João fizera no verso 8:
“Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”  (Apo 3.11).
O que temos alcançado com esforço em nossa obediência ao evangelho é muito precioso e deve ser guardado com  toda vigilância e cuidado através de uma vida piedosa de oração e obediência à verdade, num viver perseverante e diligente.
Tal é o cuidado que se deve ter com a doutrina de Cristo, que aquele que não permanece nela não tem a Deus, porque é somente permanecendo nos mandamentos de Cristo, no Seu ensino, que temos tanto ao Pai quanto ao Filho. Esta é a única maneira de permanecermos nEle e Ele em nós, a saber, sendo obedientes à Sua Palavra (v. 9).
Esta é também a única maneira de sabermos que somos verdadeiramente salvos, porque os que foram salvos perseverarão na fé e na obediência à Palavra de Deus.   
Aquele que tem se desviado da Palavra tem portanto se desviado do próprio Cristo. Por isso Ele nos advertiu seriamente quanto a isto em Seu ministério terreno.
É tão importante e vital para nossa vida espiritual e vitória neste viver cristão, quanto ao zelo necessário para que vivamos na doutrina de Cristo, que João disse que se alguém vem ter conosco, isto é, para um relacionamento de comunhão, e não traz esta doutrina verdadeira, não devemos receber tal pessoa em nossa casa, nem sequer saudá-la com a graça e paz do Senhor, conforme era o costume dos cristãos antigos. Isto quer dizer que não podemos ter como amigos do peito quem não é amigo do peito dos mandamentos de Jesus. Não podemos compartilhar num mesmo espírito com aqueles que não andam na verdade do Senhor (v. 10).  
João diz que aquele que simplesmente saúda uma tal pessoa, participa de suas más obras, porque está no mesmo espírito de quem está no erro e não na verdade (v. 11).
Quem anda no amor de Deus detestará o mal, o pecado, e jamais será cúmplice daqueles que andam nas obras infrutíferas das trevas.
Isto mostra de modo muito claro que o amor a que João se refere como o cumprimento do novo mandamento do Senhor é o amor ágape que demanda pureza de coração e unidade de espírito em obediência ao Senhor.
Finalmente o apóstolo se despede daquela Igreja dizendo que tinha ainda muitas coisas para escrever, mas esperava visitá-los e instruí-los face a face, para que a alegria deles, e a sua própria, fossem completas. Certamente esta alegria é o fruto do Espírito que é decorrente de um andar na verdade. Por isso João pretendia ir ter com eles, de maneira que na comunhão no mesmo Espírito, por estarem em obediência à vontade do Senhor, ele sela esta comunhão dos crentes e o Seu agrado nela, gerando grande alegria espiritual em seus corações (v. 12).   Ele fala na saudação final da epístola, que uma outra igreja, à qual ele chama de “tua irmã, a eleita” estava saudando a senhora eleita, à qual havia destinado esta sua epístola. Certamente se tratava da igreja onde João se encontrava quando escreveu esta epístola. 


quinta-feira, 30 de maio de 2013

EFÉSIOS 1



“1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:
2 Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo;
4 assim como nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
5 e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
6 para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado;
7 em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça,
8 que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência,
9 fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs
10 para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,
11 nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade,
12 com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo;
13 no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,
14 o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.
15 Por isso também eu, tendo ouvido falar da fé que entre vós há no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos,
16 não cesso de dar graças por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações,
17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele;
18 sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos,
19 e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,
20 que operou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus,
21 muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
22 e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja,
23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.”

Paulo escreveu esta epístola quando se encontrava em sua primeira prisão em Roma, ocasião em que escreveu também as epístolas aos Colossenses, aos Filipenses e a Filemom.
Ele havia evangelizado a cidade de Éfeso durante a sua terceira viagem missionária, conforme relato que encontramos no livro de Atos, tendo sido preso no final desta sua viagem quando se encontrava em Jerusalém, tendo sido depois transferido para Cesaréia, de onde apelou para César, tendo viajado sob escolta para Roma onde permaneceu em prisão domiciliar.
Cerca de seis ou sete anos já haviam se passado desde que fundara a Igreja de Éfeso até a ocasião da escrita desta epístola.    
Mas ele era informado sobre a situação de Éfeso, por Tíquico, que foi o portador desta epístola, como se vê nos versículos 21 e 22 do seu sexto capitulo, e também, certamente por outros seus cooperadores na obra missionária.

Paulo, como em todas as suas demais epístolas, orou para que a graça e a paz fossem dadas aos efésios pelo Senhor, como lemos no segundo versículo.
A paz é fruto da graça, e por isso sempre vêm juntas, porque a paz que é tão desejada não pode existir sem a graça do Senhor nos nossos corações, dirigindo a nossa vida.   
Logo em seguida, Paulo não fez qualquer menção a circunstâncias em que estivessem vivendo os cristãos efésios, e tendo simplesmente lhes chamado na saudação inicial de santos e fiéis em Cristo Jesus, passou a exaltar e a bendizer a Deus Pai por todas as bênçãos espirituais com as quais abençoou os cristãos nas regiões celestes em Cristo, como se vê no verso 3.
Note que os apóstolos nunca fizeram qualquer menção em seus escritos a promessas de bênçãos materiais que nos tenham sido feitas em caráter absoluto na Nova Aliança, ainda que estas nos sejam também concedidas por Deus, como acréscimo ao fato de buscarmos em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça.
É fácil entendermos porque não há promessas específicas e absolutas quanto á concessão de bênçãos materiais para os cristãos na Nova Aliança, conforme havia na Antiga.  
Em primeiro lugar porque a quase totalidade delas está ao alcance das mãos.
Elas são deste mundo.
São obtidas como recompensa do nosso próprio trabalho e esforço. E a quase totalidade das coisas que são providas por Deus para o nosso sustento, fazem parte do mundo natural que Ele criou nos seis dias da criação, e elas se reproduzem no mundo animal e vegetal; e as minerais, como por exemplo a água, foram espalhadas por Deus por sobre toda a superfície da terra, ao alcance de todos os homens, sejam eles cristãos ou não.
Uma outra razão para não existir qualquer ênfase na doação de bênçãos materiais como uma promessa da Nova Aliança, para a Igreja, consiste no fato de que tudo o que é material se desfaz pelo uso e tudo passará um dia, e além disso não poderemos levar conosco nenhuma destas coisas materiais quando sairmos deste mundo, nem mesmo o nosso corpo físico.   
No entanto, as bênçãos espirituais não são deste mundo, e dizem respeito à vida eterna, porque elas são eternas em sua própria natureza.
Elas são recebidas a partir do céu e por um ato doador e específico de Deus para aqueles que as buscam pela fé.
De modo que somos incentivados por Jesus a buscar não o alimento que perece, mas aquele que subsiste para a vida eterna. E a não ajuntarmos tesouros na terra, mas no céu.
Ninguém deve ser insensato de chegar a pensar que não precisa de bens materiais, especialmente os necessários ao sustento do corpo. O próprio Jesus afirmou que o Pai sabe que necessitamos destas coisas materiais, mas Ele também disse que são aqueles que não conhecem a Deus que têm os seus corações naturalmente dispostos somente para estas coisas.
O cristão não deve portanto se deixar dominar por nenhuma delas, e fazer de quaisquer delas o seu objetivo de vida, senão somente o reino de Deus e a sua justiça; sabendo que o Senhor acrescentará estas coisas àqueles que Lhe forem fiéis enquanto eles se empenham em trabalhar exaustivamente no que tiverem sido chamados por Deus a fazerem neste mundo.  
É dito pelo apóstolo Paulo que as bênçãos espirituais são obtidas nas regiões celestiais em Cristo Jesus,  a saber, elas nos vêm a partir do céu e elas nos vêm de nosso Senhor Jesus Cristo, em quem se encontram, e de quem procedem todas estas bênçãos. 
Por isso estas bênçãos são exclusivas para aqueles que crêem em Cristo e que se encontram unidos a Ele. São bênçãos para aqueles que são da Igreja de Cristo, para os Seus santos (Nota: quando a Bíblia se refere à igreja, não é nenhuma instituição ou estrutura secular que estão em foco, mas a reunião dos cristãos em determinado local para a cultuarem a Deus).  
As bênçãos espirituais são dadas aos homens por causa do ato de Deus em Jesus Cristo, conforme planejado no conselho eterno da Sua própria vontade divina, e são concretizadas pela operação do Espírito Santo na própria vida dos cristãos, daí serem exclusivas para os que são da Igreja, porque somente os cristãos têm a habitação do Espírito Santo.  
Paulo se referiu à eleição como sendo a primeira e principal causa das bênçãos espirituais que os cristãos têm nas regiões celestiais em Cristo Jesus, e, porque ela é a razão de todas as demais bênçãos espirituais que serão concedidas por Deus ao eleito, a saber, a justificação, a redenção, a regeneração, a santificação, os dons e o fruto do Espírito Santo, e a glorificação.
Estas bênçãos espirituais não podem portanto ser experimentadas por aqueles que permanecem no mundo, pertencendo ao mundo, porque se diz delas que são celestiais, e portanto, são concedidas àqueles que se tornaram pela fé em Cristo, cidadãos do céu.  
 Estas bênçãos estão projetadas por Deus para preparar os cristãos para o céu, conforme Ele havia planejado desde antes da fundação do mundo.   
Por isso não devemos fixar a nossa atenção e afetos nas coisas terrenas, mas naquelas coisas pelas quais nós somos santificados em Cristo, porque fomos projetados para sermos como os anjos, por toda a eternidade, os quais não são dependentes de nenhuma coisa criada para que sejam sustentados em vida, senão somente da graça e da glória de Deus, que eles têm em plenitude.   
Todos os cristãos devem ser santos; e, se alguém não tiver sido santo na terra, jamais será santo no céu. E ninguém poderá ser santo sem estas bênçãos espirituais que nos são concedidas somente por Cristo.
Tendo se referido às bênçãos celestiais que os cristãos têm em Cristo, Paulo passou a descrever que bênçãos são estas, no verso 4, e iniciou pela eleição que Deus fez antes da fundação do mundo daqueles que deveriam ser santos e irrepreensíveis diante dEle em amor, os quais foram predestinados para Si mesmo, para serem Seus filhos por adoção, por meio da união deles com Jesus Cristo.
Ou seja, Deus desejou este resultado. Ele planejou isto. Ele assim o quis, em Seu próprio Ser divino, antes dos tempos eternos.
Ele criaria a humanidade para se prover de filhos amados semelhantes a Jesus Cristo.
E Deus fez isto segundo o bom desejo da Sua própria vontade, de maneira que esta escolha não foi causada por nada externo ou pelos próprios eleitos, senão exclusivamente pela Sua soberana vontade, como Paulo afirma no verso 5.    
O propósito desta eleição e adoção em amor, e o trabalho de santificação por Ele realizado de maneira que estes eleitos sejam santos e irrepreensíveis, traz muito louvor à glória desta Sua graça que Ele concedeu gratuitamente a estes que são transformados por ela, por causa da união deles com Jesus Cristo, como se lê no verso 6.
Todos os que atendem ao chamado à salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, são estes que a Bíblia chama de eleitos de Deus.   
Este trabalho rico da graça em favor dos eleitos se tornou possível porque Jesus Cristo os redimiu dos seus pecados com o Seu sangue, como Paulo afirma no verso 7.
O texto de Romanos 8.28-30 nos ajuda a entender o modo desta eleição.

“28 E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
29 Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;
30 e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.”
 
Este texto no diz que aqueles que amam a Deus têm todas as coisas concorrendo para o bem deles, porque os tais são chamados segundo o Seu propósito.  
Estes que amam a Deus não são chamados porque O conheciam e O amavam antes da chamada deles por Deus, mas, porque Deus se revelou a Ele, por meio de Jesus Cristo e do trabalho do Espírito Santo.
Assim, eles amam a Deus porque Ele os amou primeiro.
Além disso, é dito diretamente que esta chamada é segundo o propósito eterno de Deus de adotar como Seus filhos aqueles que dentre os pecadores viessem a Lhe amar.
Todos aqueles que têm sido diligentes para a santificação das suas vidas têm recebido a graça necessária, conforme distribuída por Deus, para conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu bom desejo que propusera em Cristo, para que na presente dispensação da plenitude dos tempos, que é a da graça ou do derramar do Espírito Santo em todas as nações, faça convergir em Cristo todas as coisas, quer as do céu, quer as da terra, de maneira que Ele tenha autoridade, tanto sobre os espíritos aperfeiçoados no céu, quanto sobre os que se encontram na terra, como se vê nos versos 9 e 10.     
A união com Cristo é um grande privilégio e bênção espiritual, e o fundamento de toda vida espiritual verdadeira que existe na terra e no céu. 
Por causa desta união com Cristo os cristãos têm recebido por promessa de Deus uma herança incorruptível no céu, e para terem a certeza de que serão herdeiros juntamente com Cristo, conforme Deus havia predestinado desde antes da fundação do mundo, para que assim fosse, conforme o conselho da Sua vontade, o Espírito Santo habita nos cristãos como um selo e penhor divino de que entrarão de fato na posse desta herança que eles alcançaram por causa da união deles com Cristo, como se vê nos versos 11 a 14.
O conselho da própria vontade de Deus é tudo aquilo que Ele tem planejado desde toda a eternidade conforme a Sua exclusiva autoridade e soberania.
Quanto à nossa salvação nós vemos em Hebreus 6.17 que este conselho é imutável.
Em Atos 2.23 nós vemos que Jesus foi entregue por nós conforme o conselho determinado e presciência de Deus.
Em Atos 4.28 é dito que a perseguição de Herodes, de Pilatos e do povo contra a Igreja estava acontecendo conforme Deus havia predeterminado no Seu conselho eterno, porque Ele planejou que o evangelho avançaria em meio a perseguições e oposições, para que Ele receba muita glória nas vitórias sobre os poderes que se opõem à Sua santa vontade.
Em Atos 20.27 nós vemos Paulo afirmando aos Efésios que não havia se esquivado de lhes anunciar todo o conselho de Deus.
A palavra boulê usada no original grego para conselho, no texto de Ef 1.11 é a mesma que é usada em todos estes demais textos, que acabamos de citar.
Então as ações contra a Igreja já estavam determinadas por Deus desde antes da fundação do mundo, como vemos em At 4.28, para a Sua exclusiva glória, pelo testemunho dos Seus servos no amor a Ele e à verdade, na medida em que teriam a fé deles aperfeiçoada por estas tribulações, que vêm aos cristãos como oposições de Satanás.   

O nosso texto de Ef 1.11 diz que os cristãos foram feitos herança do Senhor por terem sido predestinados de acordo com o propósito de Deus, que foi feito segundo o conselho da Sua própria vontade.
É declarado quanto à salvação dos que crêem em Cristo, que o caráter do decreto eterno é imutável, isto é, os que foram salvos, jamais poderão perder a condição de filhos de Deus porque foram marcados por um conselho que é imutável e absoluto quanto a isto.
De igual modo é também imutável o conselho quanto ao crescimento destes eleitos na graça e no conhecimento de Jesus, mas ele não é absoluto quanto à sua execução relativamente a todos os cristãos, porque este crescimento não dependerá somente da vontade de Deus, mas também do empenho e diligência de cada cristão em santificação.
Ainda que esteja determinado que todos eles serão perfeitos em santidade na glória, porque Deus é santo, e importa que Seus filhos sejam santos, no entanto, enquanto eles estiverem neste mundo se verá mais progresso em santidade em uns do que em outros.
E aqui se revela que eles devem crescer por um ato de escolha voluntária, porque não há amor e obediência verdadeiros que não sejam voluntários.
Isto implica a necessidade de cooperação com o trabalho do Espírito Santo para que haja crescimento espiritual.            
Em Apocalipse 10.6 nós lemos o seguinte:

“e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora,”.

A humanidade está em contínuo processo de criação através dos séculos, com a geração de novas pessoas, mas se diz que Deus tudo criou, com o verbo criar no tempo passado, indicando uma ação concluída, como vemos no texto de Apocalipse 10.6 que acabamos de citar.
Isto indica que tudo chega à existência no tempo, mas tudo já foi visto por Deus como criado no Seu próprio planejamento eterno, conforme o conselho da Sua vontade.
Assim, o que virá a ser ainda, já foi conhecido por Ele em Sua presciência.
Tudo o que vier a ser já se encontrava em latência na mente de Deus, assim como um arquiteto tem todo o planejamento de um edifício em sua mente, antes de construí-lo.
Podemos por assim dizer, que todos os seres morais que chegam à existência, á se encontravam criados na imaginação e vontade de Deus, antes de serem formados por Ele no tempo da chegada que Ele previu para cada um deles a este mundo.
Há este controle perfeito do Senhor sobre os seres morais, porque eles têm um espírito, tal qual Deus é espírito, e assim não poderiam ser o fruto de uma geração espontânea ou meramente natural, porque também são seres espirituais além de terem um corpo natural.  
Isto não significa que houvesse algum bem prévio ou mérito nos eleitos, porque quanto ao pecado, como ensinam as Escrituras, são tanto pecadores e culpados como os não eleitos, sendo salvos gratuitamente pela graça que está em Cristo Jesus.
É realmente muito fascinante sabermos que Deus criou os seres morais à Sua imagem e semelhança.
Eles estão dotados desta capacidade de juízo próprio, de direção própria, de determinação própria, em escolhas que podem fazer pelo exercício da razão e da imaginação.
Temos então em cada ser moral criado, uma personalidade específica e definida. Cada um deles é único e são distintos uns dos outros.
E é por isso que alguns afirmam erroneamente que Deus arriscou em havê-los criado, porque muitos deles poderiam por esta característica de direção própria, determinarem caminharem afastados da Sua vontade.
Dizemos que não houve erro porque tudo isto estava planejado nos conselhos eternos de Deus, de maneira que estes vasos rebeldes são enchidos com a Sua ira, para manifestar neles o Seu poder como Juiz e Vingador do mal. A criatura que não honra o seu criador é também desonrada por ele.
É a isto que Paulo quer se referir em Romanos 9, quando diz que Deus criou vasos para honra, que são os eleitos; e vasos para desonra, que são os não eleitos.
Deus sabia de antemão e desejava este efeito, de maneira a exibir tanto a sua misericórdia, graça e amor nos eleitos, que salvou de suas misérias no pecado, como o Seu grande poder em julgar e condenar ao sofrimento eterno aqueles que resistem à Sua vontade; apesar de não ter nenhum prazer em fazer isto, porque não criou nem anjos, nem homens, para serem rebeldes, e prova isto os sujeitando aos Seus juízos, porque são responsáveis perante Ele pelo uso da liberdade que receberam, e que deveriam colocar debaixo da Sua instrução e governo, por uma obediência voluntária em amor.      
Os cristãos estão portanto, selados e marcados pelo Espírito Santo, como propriedade de Deus, para serem resgatados no tempo oportuno.
Eles têm parte desta herança celestial garantida pela presença do Espírito Santo, que é o penhor de que haverão de receber a recompensa plena no futuro.
A habitação do Espírito Santo é também um penhor de que a santificação que Ele está operando agora será uma santificação perfeita na glória, quando os cristãos entrarem na posse da plenitude da herança deles no céu.  
A alegria e o consolo que são gerados no presente pelo Espírito são também um penhor daquela alegria e consolo que serão perfeitos no céu.
Tudo isto foi comprado para os cristãos pelo sangue de Cristo. 
A herança que nos foi prometida antes da fundação do mundo foi perdida por causa do pecado, mas Cristo comprou a nossa hipoteca e a resgatou para nós, pela redenção do Seu sangue, que foi o preço da compra ajustado para que pudéssemos ter o resgate da posse da nossa herança, que havia sido perdida, e que Cristo recuperou para nós.  
Depois de ter falado da obra que Deus fez em favor dos cristãos através de Cristo, Paulo orou na parte final deste capítulo pelos efésios, dando graças a Deus pelo que Ele havia feito por eles, e para que continuasse operando em suas vidas, dando-lhes espírito de sabedoria e de revelação dEle, através da iluminação dos seus olhos espirituais, para que pudessem conhecer qual era a esperança da vocação deles, e as riquezas da glória da herança deles nos santos, e também qual é a suprema grandeza do poder de Deus para com os cristãos, segundo a força do Seu poder, como lemos nos versos 15 a 19.  
Poder este que Deus manifestou no próprio Cristo quando o ressuscitou dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, muito acima de todo principado, autoridade, poder e domínio, tendo sujeitado tudo aos pés de Cristo, dando-o como Cabeça à Igreja, a qual é o seu corpo e a Sua plenitude, como lemos nos versos 20 a 23.
Veja que nos versos 15 a 19 se fala em relação aos cristãos que eles devem ter espírito de sabedoria e revelação da pessoa do próprio Deus; iluminação dos olhos espirituais, para o conhecimento das coisas espirituais relativas àquilo que eles devem ser e da herança que têm em Cristo; e finalmente conhecerem de forma também experimental qual é o poder de Deus que neles opera.
Isso tudo fala de vida de experiência com a realidade das coisas espirituais que estão em Cristo.
Isto é muito mais do que mero conhecimento intelectual.
Não se fala de mente de sabedoria e revelação, ainda que isto esteja incluso, mas de sabedoria e revelação de espírito, uma vez que toda sabedoria e revelação de Deus são feitas ao nosso espírito pelo Espírito Santo.  
Este poder espiritual foi manifestado em Cristo e tem sido manifestado por Deus na Igreja, porque esta é o corpo de Cristo, e tem sido por meio dela que o poder de Cristo tem se manifestado na presente dispensação.  
O conhecimento do poder de Deus por experiência pessoal e real com o Espírito Santo é absolutamente necessário para um caminhar íntimo e constante com Ele.
É da vontade de Deus que conheçamos o poder da Sua graça operando em nosso espírito de maneira experimental.
 É uma coisa difícil trazer um espírito a crer em Cristo e a confiar na Sua justiça e esperança de vida eterna. 
Somente o poder do Todo-Poderoso poderá fazer tal trabalho nos pecadores.

O caráter deste poder é o mesmo que ressuscitou Jesus dentre os mortos, e assim não é fácil defini-lo com palavras. Não serão portanto palavras persuasivas de sabedoria humana que poderão fazer este trabalho de conversão e de santificação, senão somente o poder operante de Deus.